Certo dia uma moça estava à espera de seu vôo na sala de embarque de um aeroporto e como ela deveria esperar por pelo menos duas horas comprou um pacote de biscoitos e também resolveu comprar um livro para matar o tempo. Tão logo encontrou uma poltrona numa parte reservada do aeroporto, sentou-se para que pudesse descansar e ler em paz. Ao lado dela se sentou um homem e quando ela pegou o primeiro biscoito, o homem também pegou um. Ela se sentiu indignada, mas não disse nada. Ela pensou sozinha: - "Mas que 'cara de pau'". Se eu estivesse mais disposta, lhe daria um soco no olho para que nunca mais esquecesse. E a situação continuou. A cada biscoito que ela pegava, o homem também pegava um. Aquilo à deixou tão indignada que ela não conseguiu reagir. Restava apenas um biscoito e ela pensou: - "O que será que o 'abusado' vai fazer agora?" Então o homem sorriu e dividiu o biscoito ao meio, dando a metade para ela. Aquilo à deixou totalmente irada e bufa...
Ela embrulhou o vaso em uma folha de jornal, depois de tê-lo enchido com tantas outras, e colocou com cuidado dentro da caixa. Era a caixa da TV que, por algum motivo, não haviam jogado fora, e que por meses guardou em silêncio tantas das coisas que foram perdendo significado com o passar dos dias: um chapéu comprado em Cancún, a garrafa de vinho que tomaram no terceiro aniversário, alguns badulaques colecionados em viagens sem fim; nada muito digno de continuar à mostra, mas que parecia errado simplesmente descartar. Ele observava fingindo indiferença, xícara em riste, enquanto a fumaça do café insistia em embaçar as lentes dos óculos. Dizer o quê? O tempo de falar já passara. Eles já deveriam ter conversado sobre suas manias, sobre seus incômodos, sobre seu futuro e também, por que não, sobre um ou outro assunto passado que, fosse por qual motivo fosse, ainda perturbava. Mas o cansaço dos dias amontoados uns sobre os outros, a quantidade de papéis para despachar, as reuniões até tard...